segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Cadê a lixeira, por favor..

Eu fui ao workshop Processo Criativo,  do escocês Charles Watson, que ocorreu final de semana passado, aqui em Brasília. De sexta a domingo, uma média de seis horas por dia de palestra, com uma carga horária total de aproximadamente 18 horas. Com muita boa vontade,  escutei Charles Watson, que compartilhou o material arquivado em seu notebook, por meio do datashow. Vídeos, citações, músicas, filmes. 

O Charles Watson é europeu e, sabe-se lá o porquê, saiu de seu país natal e veio parar no Brasil onde presta consultoria sobre criatividade, com conhecimentos adquiridos de modo autodidata. 

Fui arrastada ao evento pelo Maurício, que trabalha comigo.  No fundo, eu não queria ir, sentia a perda de tempo. Sexta-feira fui pega e praticamente levada até o local onde ocorreu o curso, com recomendações de que estava prestas a assistir a algo extraordinário. Menos, gente. Na verdade, saí me sentido uma completa idiota. Não sei bem o porquê, saí me sentindo assim. No final do curso, fomos até a livraria cultura, no CasaPark, eu queria pegar um livro do Maurice Blanchot, “O Espaço Literário”, que eu tinha encomendado e dei de cara com o livro do Olavo de Carvalho que está na lista dos mais vendidos: “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”. Quis adquiri-lo. Fui impedida. 

Mas o curso do Charles Watson. Traz uma visão muito pessoal do que é criatividade e de como lidar com o processo criativo. Acho que criatividade tem algo mágico e misterioso mesmo. Menosprezar isso é tolher o processo de algum modo. Não dá para fazer uma cerca  de dogmas num campo que nem é estritamente científico. 

A surpreendente dinâmica do Charles Watson suscita algumas reflexões. Ele aborda uma profusão de temas e nem sempre é claro o nexo entre o tema abordado e a proposta do workshop. Ele iniciava determinado tema e daí passava para outro e muitas vezes não se acompanhava o cambiante raciocínio dele. Tem-se que adivinhar o nexo, o que achei bem pouco producente. Pessoas dormiram. Eu procurei ficar bem acordada, acompanhando cada lance da mente metralhadora giratória do Charles, do tipo viciada em internet, pelo menos pareceu. Se fosse um curso "on line" talvez pudesse disfarçar isso melhor. Ao vivo, não deu. 

A mais importante reflexão que me suscitou o curso é que, nesta época de internet, a quem interessar possa, urge evitar a “mente metralhadora giratória”, que tenta focar vários temas sem aprofundá-los. A internet, além de uma ferramenta de divulgação e pesquisa é um estilo de vida que tem prós e contras. O principal contra é a possibilidade de transformar a mente numa metralhadora que cospe informação ao mesmo tempo em que recebe mais e mais munição/informação. Incomensurável a quantidade de informação possível de ser acessada pela internet, mas de que vale tanta informação com uma mente incapaz de processá-la. O que parece ser uma herança deletéria do uso indiscriminado da rede.

Comentava com o Theo que se, ao invés de ter ido ao workshop, tivesse ficado em casa lendo a História da Literatura Ocidental, do Otto Carpeaux, teria feito melhor do que ter ficado um tempão tentando amparar as bolas de golf que Charles Watson lançava na incauta platéia. Era abrir o guarda-chuva para não ser atingido por tudo ao mesmo tempo agora. Theo me disse que no curso eu acessei outras informações. Sim, muitas outras informações. Mas cadê a lixeira, por favor..

2 comentários:

Ulisses Borges disse...

Ana, tem muitas coisas interessantes "dando sopa" no teu blog, voltarei mais vezes para ler com mais calma! Um bj!

Ana Lucia Franco disse...

Volte sempre, que bom viestes!

beijos..